terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Velotour 2010

Pois bem, fomos, suamos, nos enlameamos e vencemos todas as subidas. Algumas descidas também precisaram ser negociadas.. .
A verdade é que participar do Velotour é percorrer todo um trajeto conhecido com um monte de gente desconhecida. Isto no primeiro dia. Pois, depois, tudo muda e as pessoas passam a se conhecer e o caminho que percorremos na verdade não está mais sob nossos pés e sim em nossa mente. Sim , em nossa mente, pois como disse o Carlos, o trajeto é de conhecimento público, mas o caminho que cada um faz é só seu e somente por esta vez.
Nesta segunda participação no evento pudemos desfrutar novamente da companhia de velhos conhecidos e também de novos “velhos” amigos que fizemos ao longo dos sete dias de pedal, 350 km de estradas de terra, lama e pedras e algumas caixas de banana e maça.
As paisagens da parte alta do circuito foram a recompensa para as 36 almas que passaram pelo purgatório do Zinco. E o desafio final da subida do Cunha valorizou ainda mais o banho no ofurô natural do rio de mesmo nome.
Parabéns a todos que foram, que empurraram suas bikes, que molharam seus pés e alforjes, mas também lavaram suas almas e puderam viver uma semana de paz e harmonia verdadeiras.
Obrigado a estes companheiros de viagem pela oportunidade de partilhar mais esta jornada.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Primeira viagem de bike pelo asfalto: Porto Alegre - Eldorado do Sul - Feriadão de 12 de outubro de 2009



Decidimos ir! Após algum tempo de idealização e experiências com viagens de bike por estradas de terra e em grupo, resolvemos encarar nossa primeira empreitada de bike pelo asfalto. Aproveitamos o feriadão de 12 de outubro e arrumamos nossas tralhas para ir para o sitio da Carol. Fica em Eldorado do Sul, no Guaíba Country Club a exatos 57 km de Porto Alegre.

A família, como era de se esperar, ficou preocupada mas apoiou a idéia e levou até meu carro para caso resolvêssemos voltar de maneira convencional para POA. Saímos sábado as 8h da manhã de casa. Dia maravilhoso! Sol, pouco vento, temperatura agradável... uma delícia para pedalar. Interessante a sensação de sair de casa, digo da sala de estar, com tudo o que você vai carregar na viagem, inclusive o meio de transporte. Partimos sem pressa, curtindo as ruas vazias da cidade e o olhar desconfiado dos que cruzavam conosco. Ao chegarmos a Ponte Móvel do Guaíba, que marca o início da estrada, uma paradinha para a foto oficial e as últimas preces. Agora é hora! Vamos encarar o monstro da rodovia!




Começamos a subir lentamente o aclive da ponte e o coração batia forte. Não pelo esforço, mas pelo medo do que nos aguardava nos próximos quilômetros. Depois de concluída a jornada, concordamos que o pior momento da viagem, sem dúvida, foi cruzar esta ponte: sem acostamento, sem espaço para pedestres, pois a passarela não tem mais de 40 cm de largura e com muitos buracos. Mas enfim, cruzamos a ponte e estávamos na BR 116. Logo em seguida, o posto do ICMS e da PRF. Passamos direto, sem problemas ou perguntas. Pedalamos cerca de uma hora até a primeira parada em um posto de gasolina para uma passagem pelos banheiros. Maior casualidade: entramos no posto, paramos e quando olho para trás, meu carro está me seguindo! Era a família da Carol, que estava indo para o sitio e nos viu entrando no posto. Conversamos um pouco e cada um seguiu seu roteiro.

Este trecho da viagem é muito tranqüilo, oferecendo pontos de tensão somente nas travessias das pontes que, ao contrario do sentido da volta, como eu veria, não tem acostamento e nem passarela que caiba a bike. Começaram já aí as novas sensações descobertas para os marinheiros de primeira viagem: nossa média de velocidade estava bem acima do previsto. Pedalávamos fácil a 25 km/h e com freqüência a 30 km/h. A razão disso é o vácuo dos veículos passando na rodovia. Comecei a adorar as carretas grandes! Cada uma que passava aumentava uns 2 a 3 km/h nossa velocidade instantânea. Uma beleza! Nas decidas então, era só curtir, e nas subidas o efeito também ajuda.

Chegamos ao pedágio antes da BR 290 e passamos também sem contato com a PRF. Neste pedágio, não tem caminho para motos e bikes. Acabamos passando por baixo de umas cordas de contenção para seguir o caminho. Logo em seguida, já entrávamos na BR 290. Este trecho é pista simples e o benefício do vácuo fica um pouco neutralizado pelos veículos em sentido contrário que atenuam este efeito. Mas mesmo assim ele existe e ajuda! Nesta estrada, com menos movimento e por conseqüência, menos barulho, começamos a perceber tudo aquilo que é impossível quando se usa um carro. A quantidade de pássaros e o barulho que eles fazem nas árvores na beira da pista é impressionante! Dezenas de pássaros cantando ao mesmo tempo e saindo em revoadas. Pudemos observar os tratores nas lavouras de arroz, com suas rodas enormes afundadas até a metade na lama e as gaivotas se reunindo para buscar uma refeição preparada pela terra remexida.

A travessia das partes alagadas ao lado da estrada também é linda e cheia de vida com garças, patos e aves de todos os tipos num microcosmo despercebido dos humanos motorizados. Depois de mais uma hora de pedal, paramos numa sombra para comer umas barrinhas e tomar água. Fomos ultrapassados por outro casal ciclístico que nos acenou. Mais tarde, os encontraríamos de novo no pedágio de Eldorado. Eram o Felipe Cabral e a Elisa. Estavam indo para Santa Cruz do Sul! Três vezes o trajeto que estávamos fazendo! Seguimos alguns metros juntos, batemos umas fotos, que por motivos de tecnologia menor não saíram, e nos despedimos, pois eles seguiriam pela RS 401. Neste trecho também cruzamos com um grupo de 4 ou 5 ciclistas no sentido oposto ao nosso. Não paramos para conversar, logo não sei nada sobre eles, infelizmente.

Depois de nos despedirmos da dupla de POA, seguimos nosso pedal de maneira mais lenta. O calor já estava maior e o cansaço começou a pegar. Cansaço da bunda! Não era fácil achar uma posição no baquinho em que não fosse sofrido pedalar! Isto é pior sem dúvida da bicicleta. Pedalar quilômetros e mais quilômetros é fácil, basta seguir seu ritmo. Agora ficar sentado confortavelmente na bike é impossível depois de algum tempo.

Paramos ainda mais uma vez depois de uma longa subida para repor as energias com mais umas barrinhas, bolachas e muita água. Estávamos quase lá! Mais 30 minutos de pedal e chegamos ao nosso destino! Sensação de realização única! Para quem pedala bastante, nossa viagem é até curta, mas a questão é todo o envolvimento psicológico que ela envolve. Pedalamos pela primeira vez na estrada, todos estavam preocupados com os riscos da rodovia, nosso ritmo era uma incógnita até começarmos a pedalar e assim por diante. No fim, cumprimos nossa meta e pedalamos os 57 km em 3 h e meia, sendo 2h e 45 minutos de pedal e o resto de descanso. Velocidade média de deslocamento de 21 km/h e máxima atingida de 40 km/h.

O resto do dia foi de reposição de energia com muita massa e frango e uma dormida na rede com muitos sonhos aquecidos pelo sol da tarde.

Bem, o retorno na segunda feira foi desestimulado pela assistência e Carol acabou vindo de carro. Eu teimei e voltei pedalando! Saí as 15h 30min do sitio e pedalei exatos 27 km até a primeira e única parada da viagem de volta. Tomei um gel e muita água, aliviei a bexiga e segui rodando em direção a POA. O movimento de retorno do feriado estava bem maior que durante nossa ida no sábado. Mas a pedalada parecia não render tanto quanto na ida. Tive a impressão de que o relevo é mais em aclive no retorno e isto explicaria também nossa facilidade durante a ida. Não tive maiores percalços durante o trajeto a não ser quando entrei em POA e resolvi seguir pela Castelo Branco em direção ao centro para evitar as subidas longas da terceira perimetral. Numa junção de estradas fiquei no meio de um entroncamento tendo que frear somente com uma mão para não acabar embaixo de um ônibus que não estava a fim de respeitar minha preferencial. Cagada! Estava com uma garrafinha d’agua na outra mão na hora... Lição: viagem não é prova, para beber e comer tem que para em lugar seguro ou pode ser fatal. No fim, deu tudo certo e segui meu caminho pelo centro, Protásio e Ipiranga até chegar em casa. Pensei como era bom eu não morar na zona sul! A volta, devido a somente uma parada, foi bem mais rápida. Pedalei 2h e 30 min num total de 2h e 45min de viagem com uma média de velocidade de deslocamento de 23 km/h e máxima atingida de 45 km/h.

Agradeço a Deus pela proteção, a Carol pela companhia e coragem e aos meus sogros Sergio e Joanita pelo apoio. Boas pedaladas a todos!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Vale da Lua RJ 2001

ALLmigos,

Como a maioria já sabia, o Luciano Duarte, membro (ops) do conselho do Niva Clube do Rio Grande do Sul esteve aqui no Rio de Janeiro, curtindo suas férias ao lado da Carol. Coube a nós, colegas de Niva Clubes, a árdua tarefa (hehehehe) de rebocá-los para conhecer ao menos uma trilha da nossa região, para que o Luciano não voltasse para o sul com alguma impressão ruim dos colegas fluminenses... Como qq coisa é motivo pra fazer trilha, não poderia ter sido diferente :-)

Pois bem, escolhemos o Vale da Lua em Teresópolis, pela proximidade, pela beleza da região e pela possibilidade de diversão sem risco. Claro que temos trilhas por aqui aonde normalmente se gastam várias horas para serem vencidas, ou talvez mais de um dia. Mas não era esse o espírito da programação... queríamos uma trilha legal, com diversos graus de dificuldade, mas sem ter que passar por algum "perrengue".

No sábado, logo bem cedinho, o Flávio Holanda passou lá em casa, pois eu fui de zequinha cinegrafista com ele, e fomos até a Vila Militar em Deodoro buscar o Luciano e a Carol. Entrando na Vila Militar ouvíamos os guardinhas apitando o tempo todo, pelo menos um em cada quarteirão. Como ninguém sabe o que quer dizer "Pipipi Pipipíííííií" ou ainda "Pííííííií", nos baseamos na fisionomia dos guardas para tentar entender o que estava acontecendo. Depois o Luciano nos disse que dentro da Vila Militar não se pode passar dos 40 Km/h. Bem, a gente estava à 50 ou 60, sei lá... Enfim... Da Vila fomos encontrar o resto do pessoal. O Paulo Andrade e o Bahjat no Alemão da Washington Luis e o Ronny e o Jota com sua trupe em Parada Modelo. Fomos então em 3 Nivas e dois Samurais para o Vale. A idéia era fazer o caminho tradicional, mas o Jota botou pilha para a gente fazer no sentido inverso, ou seja, subindo o Vale. Pensei comigo: "Demorou"...

Logo na entrada (a saída, se fosse no sentido tradicional) encontramos o terreno bem escavado pelas últimas chuvas e escorregadio, já que brota água pelo chão vindo provavelmente de algum vazamento do reservatório que tem no meio do início da subida.

Haviam valas enormes, daquelas que se o carro cair daria muito trabalho para sair, pelo lado esquerdo e o conhecido penhasco do lado direito. A única passagem é estreita, colocando a roda direita na beira do penhasco e a esquerda pertinho da vala. Como se não bastasse isso, o lado direito é mais elevado, o que faz com que o carro tenha que passar bem inclinado lateralmente, ameaçando ser puxado para a vala, ainda mais porque o terreno estava escorregadio. Durante a subida do Vale encontramos diversas situações semelhantes. O piso nesta região cede muito facilmente com as chuvas, portanto sempre teremos valas enormes, pequenas erosões e degraus. Numa das valas molhadas o Niva do Flávio, que vinha à frente do comboio comigo de zequinha, acabou caindo. Como o pneu dele é aquele baixinho original de asfalto, o carro não conseguia sair sozinho. Depois de muita tentativa, por diversos ângulos, chegamos a conclusão de que o carro dele não conseguiria subir do jeito que o terreno estava. A Vala era realmente funda, enlameada, e cobria toda a largura da pista. sem alternativa, pegamos a enxada e começamos a trabalhar o terreno. Cerca de 20 minutos depois, de um para-barro torcido e algumas batidas com o estribo no chão, o Niva do Flávio conseguiu subir. Depois dele veio o Jota com os Renegado calçado nos Guyane 215 e com o terreno aplainado. Não teve nem graça. Depois o Bahjat, talvez com medo de ficar na vala-lama que restou, acelerando tudo que tinha direito. Em meio à correria pra sair da frente dele e aos gritos de "Caaaaaaaaalma Braçããããããão", passou lotado por nós indo parar de frente pro barranco cerca de 20 metros depois da vala. Atrás dele veio o Ronny, com pneus originais, porém elegante e cuidadoso... passou sem maiores problemas, inaugurando a trilha que acabaria de vez com o apelido de Samurai 3x4. Por fim, o Paulo Andrade re-inaugurando o Riva. Entrou de mal jeito, mas corrigiu à tempo.

Continuamos subindo, passando por outras valas, até chegar naquele grande barranco, na verdade o portal de entrada do Vale da Lua (ou saída, dependendo de onde se vem). A subida pelo barranco requer atenção, pois ele é íngrime e bem erodido. Pra quem não tem costume com trilhas, a impressão é de que é impossível subir ali. "Esses caras são loucos". "Meu carro não sobe aí". São duas frases que a gente sempre escuta dos novatos. O Flávio Holanda estava com cara de dúvida, mas a gente orientou direitinho a posição do carro em relação ao barranco, de modo que a abordagem fosse precisa. Daí só bastou acelerar na medida certa e tomando cuidado pro carro não desgarrar pra vala. Num piscar de olhos, já estava lá em cima com sorriso de alívio e dizendo "É muito mais fácil do que parece". Sobe o Renegado com segurança de veterano tendo à bordo a Nanah e as filhas do casal Carol e Juju sentadas nas cadeirinhas gritando "De Noooooooooovo"... Vem o Bahjat com o Luciano no banco do carona. Acelerou, mas entrou errado. Bateu no barranco e perdeu a polaina esquerda. Segunda tentativa, corrigiu a rota e subiu. O Ronny mandou bem e rapidinho já estava lá no alto. As meninas, Carol, Adriana e Fernanda subiram à pé. E por fim, o Paulo Andrade. Encheu o motor e se jogou no Barranco. Ainda deu tempo do ouvir o pessoal gritando "Caaaaaaaalma"... Lembrei da cena de quando eu voei com o carro e quebrei o diferencial dianteiro. Sorte que ele abortou à tempo. Segunda tentativa, agora acelerou pouco e teve que voltar pelo barranco de ré. Aí eu expliquei: Nem muito rápido e nem muito devagar. Pega as duas velocidades, soma, tira a raiz, corte em cima, corta em baixo, põe o x em evidência e eleva ao quadrado. Entendeu? Tem que ser na manha, não na porrada... Acho que ele entendeu, hehehehe... Terceira tentativa e pronto, já estava no alto do barranco com segurança.

Começa o Vale da Lua, propriamente dito. Fizemos o laço tradicional, começando pelas erosões, curvas fechadas e inclinações laterais, descendo pelos arbustos até a pista lá embaixo, contornando e voltando a subir pelos barrancos menores do outro lado e pegando a sequencia de degraus, sempre subindo. Saímos na entrada do platô central do Vale, mas orientei o comboio a seguir pelo outro caminho. A idéia é deixar o Platô para o final, depois do U. Portanto, descemos pela enquerda seguindo pela pincipal e contornando o vale pela parte baixa em direção ao "subidão da torre de energia". No caminho, a gente passa por um ladeirão que sinceramente é impossível enfrentar. Sempre a gente olha, pensa e chega à conclusão que não dá. A gente nem pára mais pra olhar. Seguindo em frente, terminamos de contornar o Vale e chegamos no subidão que leva até a torre de energia, o ponto mais alto do Vale. À primeira vista, assusta. É uma subida íngrime, longa, de terra solta e com valas ao longo do caminho. Mas dessa vez estava mais ou menos tranquilo. Bem, íngrime e longo, sempre é. Terra solta, também. Só que desta vez, as valas que existem durante a subida não ofereciam maiores riscos. Nessas condições, primeira reduzida, pé firme e auto-segurança são mais do que suficientes para se chegar ao topo sem maiores surpresas. O Ronny, entretanto, demorou pra subir. Pelo rádio, ele avisou que parou no meio do caminho, logo depois da subida e pouco antes de chegar à torre, para esperar "as meninas" que vinham à pé... Pô, sacanagem, fazer as mulheres subirem à pé. Segundo o Ronny, elas é que quiseram assim pois saltaram do carro antes do subidão para tirar fotos. Sei... :-)

Pausa para fotos no ponto mais alto do Vale da Lua, e para admirar a vista panorâmica de toda a região, com o Dedo de Deus ao fundo. Seguimos o caminho descendo pelo outro lado da torre, indo em direção ao U. Nessa altura, alguns motoqueiros se faziam presentes. De longe já dava pra vê-los brincando no U, descendo por um lado e voando na saída, em saltos que faziam o carro sair mais de metro do chão. São duas descidas e duas subidas. A descida da esquerda é sempre íngrime e muito erodida. Portanto muito perigosa, pois qualquer descuido o carro tombará na descida. O Jota foi o primeiro a encarar o U e, naturalmente, desceu pela esquerda com a Nanah fechando os olhos e as crianças fazendo festa no banco de trás. Apontou, desceu, escorregou, corrigiu, chegou lá embaixo. Aproveitando o embalo, apontou pra subida e acelerou. Com eficiência, chegou ao topo do outro lado ganhando o platô do Vale. Como é de praxe, pra quem vence o U, começou a correr pelo platô dando cavalos de pau e levantando a poeira pra todos os lados. Não satisfeito, desceu por onde subiu e subiu agora pelo outro lado, à nossa direita, aonde normalmente os menos malucos descem. E as crianças gritando "De Noooooooooovo"... e que, sem dúvida, foram prontamente atendidas :-)

Após um longo período de convencimento, os demais foram descendo o U, mas pelo lado direito que é tão o mais íngrime que o esquerdo, porém sem erosões. Eu e o Flávio fomos os primeiros à descer, após o Jota. Como descemos pelo lado direito, ao chegar lá embaixo preferimos manobrar para subir pela direita, já que a subida da esquerda, que fica na reta de quem desce pela direita (visto do alto, é como se fosse um X) é racionalmente impossível de vencer. Apontamos o carro e olhamos pra cima. Visto de baixo, é realmente assustador. A subida é um paredão, que tem tranquilamente mais de 50 graus. A impressão que dá, é de ser reto. O Flávio virou pra mim e perguntou: "E se o carro não subir?". Aí eu disse: "Faz o possível pra descer reto em marcha à ré e seja o que Deus quiser". A cara de ambos era de preocupação. O Flávio acelerou, tocamos o barranco, as duas rodas dianteiras deixaram o solo ligeiramente, o carro quicou, ganhou tração e começou a subir. Não sei se é possível explicar a sensação, mas é algo como uma montanha russa começando um looping. A gente não vê nada, apenas o céu à nossa frente. É tudo muito rápido, não dá pra pensar direito. Quando a gente chega ao platô central no topo, na saída do U, é que a gente começa a entender o por que da correria e dos cavalos de pau que todo mundo faz. A vontade é de gritar, pisar fundo e sair pro abraço, como se fosse um gol marcado aos 45 minutos do segundo tempo em uma decisão de campeonato. Toda aquela tensão e o medo do sobe não sobe é extravasado! De carona vai o chefe, a sogra, o cheque especial e toda a apurrinhação da semana que passou! Ufa! Que sensação gostooooooosa, hehehehe... Depois veio o Bahjat com o Luciano à bordo e em seguida o Ronny, subindo o U no Samuraizinho brilhando, com duas zequinhas à bordo, enterrando de vez o apelido de Samurai 3x4. O único que não faz o U foi o Paulo Andrade, temendo falta de potência por causa da suspeita da má qualidade da gasolina no posto aonde abasteceu antes da trilha. O Riva ficou triste... mas tudo bem, outras oportunidades virão, só precisa o Paulo Andrade escolher bem a bomba de gasolina para vencer o U com segurança :-)

Todos no Platô, mais algumas fotos e termina a nossa trilha propriamente dita. Atrás do platô tem ainda uma outra descidona, seguida de outra>subidona, mais ou menos no estilo do U, só que muito mais longas e com uma curva no final da subida! Realmente, coisa de maluco. Eu, o Jota e o Luciano descemos à pé. Quer dizer, praticamente rolamos ribanceira abaixo, já que era dificílimo ficar de pé. Lá embaixo, olhando pra cima, era como se fossem 3 Us para subir. E com erosão no meio. Vala também. E com o sol na cara. E uma curva depois. E penhasco do lado. Enfim, deixa pra outro dia, hehehehe... Ficamos curtindo os motoqueiros nesse subidão e alguns deles não conseguiam chegar ao topo com facilidade. Sei lá, isso é cachorro louco demais pro meu gosto, hehehehe... Dennis, Vicente, Rodrigo... Se estão lendo até esse ponto, saibam que nossas esperanças são vocês, hehehehe... eu to fora desse subidão :-)

Todos de volta à seus carros, pegamos o sentido inverso em direção à torre de energia, descemos por onde subimos e rapidinho já estávamos no asfalto. Tinhamos pensado em emendar com Itaipava, mas já eram quase 15 h e a fome era negra. Descemos até o restaurante do Rodrigo (da região) em Barreiras no pé da serra aonde tem uma comidinha caseira agradável e honesta, além de uma cachoeira que, apesar do nível baixo da água, ainda me rendeu um refrescante mergulho.

Luciano e Carol, valeu pela companhia, pela trilha, pela visita ao postinho e pelo Crepe de quinta feira! Espero que vcs tenham tido uma boa impressão dos amigos daqui de cima e que tenham levado consigo o nosso carinho, além de lindas fotos!

Um forte abraço à todos, Bruno Méga